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A face oculta da paixao

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Estava eu pela manhã na academia, tentando perder uns quilos e voltar a uma forma mais saudável, a fim de evitar problemas futuros de saúde. A minha frente, vejo um rapaz, exercitando-se energeticamente. Algo tão intenso, que tomava toda a minha atenção e sequer chegava-me a concentrar em meu próprio exercicio. Entre uma puxada e outra, olha-me pelo canto dos olhos, como que suspeito de que também eu o fitava. Impossível não fazê-lo! . comportava-se tal como as máquina a que nos cercavam. Uma Figura longelínea, com pele muito branca, um rosto muito jovem e um semblante agressivamente afoito. Apesar da magreza, tinha os músculos muito bem definidos, como os de um bailarino clássico. Estávamos apenas os dois ali, naquela sala enorme, cercada de espelhos por todos os lados, como em um compartimento de nosso insconsciente fechado, fazendo parte de um sonho alheio. Nossos reflexos estavam por todos os lugares, do teto ao chão. Ao perceber que aquela jovem criatura angustiava-se, e angus...

Amante

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Meu  tempo se limita a  encontrar-te Nos  espaços  que o relógio  me oferece E rezo para que as horas logo cheguem E nelas, o  assumir-te  me engrandece. Perto de ti desapareço,  me escafedo, sumo E de meu nada, a simples  plenitude brota Só em vida e sentimento me resumo A sensaçao de  liberdade  em mim aporta. A lógica e  o conceito se destroem Defesas  caem à esquerda de meus passos Meu sangue enfervescido em julgamentos Condenam-me a viver pelos teus atos. O permitido, e o proibido  se intercalam Pois Amar-te é um exercicio de  valores Entre as partes, forte,a  ponte se instala E atravesso-a  sem olha-la  e sem temores Sigo firme em  teus olhos de diamantes E mergulho em teu sorriso de felidicade calma Aprendo,  no percurso de teu gestos A  delagar a paz,  em festa em minha alma. Joao Brandao Junior, NYC 27 de fevere...
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Você já amou hoje? Muito se fala sobre amor, amar, amantes a amabilidade. Dividem o verbo em segmentos diversos, e atribuem-lhe categorias diferentes, e cada uma delas sempre relacionadas a um objeto, a um grupo, a um individuo, e quando esse passa a ser usado como parte de uma entrega geral, saimos de cena para atribuir-lhe à um fato divino, como se não fossemos capazes de uma vez senti-lo, e mais do que isso, experimenta-lo como a um direito legal, inerente a nossa própria natureza. Está série de intitulações, por vezes de uma profundidade essėncialmente paranormal, nos privam - e isso acontece conceitualmente - de experimentar o Amor enquanto um bem comum a todos os seres humanos. Não falo aqui da relação física que isso implicaria, já que não entendo uma plenitude capaz de limitar-se à ideia de corpo, toque ou mesmo sexo. Falo do amor que flui como legitimação do respeito pessoal, e fundamentalmente como produto da racionalidade à serviço do prazer e do bem estar, enquanto seres ...

I have no time

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I have no time for death I have no time to sleep. I have not time for excuses. I have no time to breath. I have some time to eat I have some time for bends.  I have some time to read.  I have some time for trends. But I do have time for life.  I do have time to live.  I do have time for friends.  I do have time to achieve.  Joao Brandao Júnior, February 22nd, 2013

Um conto de amor ...PARTE I - O ENCONTRO

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Fora convidado para ir a um vernissage em uma galeria da moda em Sao Paulo, na decada de 90. Amava as artes, e dividia espaco com um astrologo, e centenas de quadros em uma bela casa, localizava em um bairro nobre de Sao Paulo. Jovem, 20 anos de uma vida intensamente aberta para o desconhecido, preparou-se como de costume, a fim de encontrar aos amigos, e juntos "filar" um vinho gratuito em um espaco cool da capital da moda. Ao chegar, logo avistou um grupo de amigos da universidade, que se engalfinhavam proximo a mesa de vinhos, tentando virar tantos copos pudessem, pois o resto da noite so seria garantida com a intervencao etilica, causada pelo nectar que ainda hoje presta-lhe homenagem constante. Tomou uma taca, e comecou a andar pelos corredores da galeria, olhando cuidadosamente as gravuras, coloridas e surreais, armonizadas com sua ja embriaguez suave. Tudo fluia - as cores, os tons, a forca do desenho que lhe penetrava o incosnciente euforico, e as linhas que o transp...

A viagem - um dilema sobre o SER negro.

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Este fato aconteceu nos idos dos anos 90, quando desenvolvia um projeto popular em favelas do Rio de Janeiro. Ensinava a língua inglesa para jovens daquelas comunidades, afim de que tivessem as mesmas chances que os indivíduos da classe média local. Ilusão ou não, contribuia com o melhor que tinha para que a inclusão social se estabelecesse e que a auto estima se fizesse presente, ainda que através de um pequeno grupo de multiplicadores, pois essa era minha intenção primordial, já que a favela não era meu habitat natural. Na época tínhamos uma parceria com uma escola canadense bilingue da grande São Paulo, com a qual desenvolvíamos um projeto de troca de cartas entre nossos alunos. Para eles, uma forma de seus alunos practicarem a escrita cursiva, que desaparecia como mágica diante dos teclados de um computador. Para nós, uma janela para um outro universo cultural, linguístico e social, o qual só tinhamos acesso através dos filmes com legenda, já que meus alunos deveriam se comunic...

Visão.

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Não me recordo bem o ano em que o fato aconteceu, mas tenho a mais espartana das certezas que foi entre 1973 e 1974, já que os fatos apartir desses anos são muito claros em minha mente, escravizada pela minha memória. Minha vó paterna era uma mulher muito religiosa. Havia em sua casa um altar repleto de pequenas esculturas de Santos - na realidade só havia espaço para uma figura masculina quase assexuada, um pequeno menino Jesús de Praga, vestido de rendas bordadas. Havia uma escultura em especial, da Virgem de Fátima, trazida de Portugal por uma juíza de Direito influente, para quem minha avó trabalhava desde a morte de meu avô, como sua governanta. Aquela imagem santificada de Fátima, traduzia toda a submissão à fé católica, aliada ao estigma português de reverência ao poder político herdada de minha família paterna, pela forte e efêmera presença lusitana de meu avô. Não era à Fátima, de fato a reverência. As atençōes dispensadas à imagem vinham do orgulho de minha vó de poder po...