"Posa na penumbra de minha mesa A mariposa em vermelho, intoxicada. Escorre pelos cantos de seus lábios Visivelmente surrados pelo roçar Da violência que lhe consome a carne, a última gota de alcool. Olha-me com certa distância E o forte odor dos tragos alheios Faz exalar de seu corpo Uma onda viva de forte tabaco. Ofereço-lhe água, e ela sorri, já condenada Pelo destino que ali A fez pousar - nada mais A purifica, a não ser Meus pensamentos. Em silêncio toca-me a boca E sussurra palavras Que não sei decifrar. Seus pés vagueiam por baixo da mesa, E um velho escarpin de salto rompido Parece agonizar, Na busca de um par similar Que lhe complete o passo, Que lhe estimule o ritmo, Que lhe conceda a ùltima dança. Bebo o derradeiro gole da água Que me mantém lúcido E como a brisa Suavemente me afasto Deixando a mariposa viver Seus minutos restantes De efêmera vida." Joao Brandao , New York City, Quarta-Feira, 3 de junho de 2015, 10:02 da manhã.
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Praga
"Afastem-se de mim os vampiros da boa energia, os parasitas que forjam uma hemorragia involuntaria que tende a deixar meu corpo enfraquecido, minha alma esgotada, minha boa vontade estagnada diante de uma necessidade real... Afastem-se pois, os saqueadores de alegrias, os sabotadores de sorrisos sinceros...abertos... Escoe por entre os esgotos sujos da maldade humana tudo o que nos denegri, tudo o que nos afeta a solidariedade nativa, e sejam todos queimados pelas chamas escaldantes do peso de suas consciencias sordidas... Afatsem-se de mim os abutres famintos de restos, as hienas que sorriem tentando morder-me as carnes, as serpentes que me rodeiam tentado acertar-me o bote... Que caia sobre suas cabecas a catastrofe inesperada do amor lavando-lhes o corpo sujo de ilegalidades, transformando-os em anjos de bondade e graca... O que ha de mais cruel a um mosntro, senao sua transformacao em ...
Entre trocas de numeros, e sensacoes de que nada muda, aqui continuamos mais uma caminhada.
Entao 2015 se apresenta! Chega sem fazer barulho, discreto e sem muitas novidades. Apos um jantar quase familiar na casa de uma boa amiga, dividindo nossas companhias com sua filha mais velha, demos boas risadas, e entre uma taca de vinho e outra falavamos sem parar de nossas vidas itinerantes pelos lugares por onde passamos, e de nossa falta de desejo em voltar a viver em nossa terra natal, por algo que chamamos de "falta de adaptacao com o obvio que tem por marca genetica, a nao mudanca". Volto para casa e decido: em 2015, vou escrever uma pagina por dia em meu blog, e registrar minhas ideias desde o principio do novo calendario, e compara-las com as minhas mudancas - ou nao - de atitudes, carater ou o que mais puder movimentar o meu mundo critivo. Assumo o compromisso comigo mesmo, e aqui estou eu, vendo-me discorrer meus dedinhos alegres nas teclas negras de meu computador amigo. Vou para a cama as 1 da manha, apos assistir alguns documentarios, e conversar com meu n...

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